
Por Julio Sergio
É inegável que 2009 foi um ano difícil. Apesar de o Brasil ter se destacado com uma das economias que menos sentiu a crise, não ficamos ilesos aos seus impactos. Infelizmente, preciso discordar do nosso presidente Lula. A crise não foi uma “marolinha”. As empresas demitiram, cortaram talentos, revisaram orçamentos, congelaram projetos e investimentos.
Olhando para os anos que virão, tenho total convicção de que nada será igual daqui para frente. Assistiremos a uma mudança de paradigmas. As organizações fizeram a lição de casa e adotarão estratégias focadas na gestão de custos. Acabou-se a era da irracionalidade. Mas engana-se quem pensa que minhas previsões são negativas. Muito pelo contrário.
Otimista nato, vislumbrei desde o início desse cenário de instabilidade financeira as oportunidades que surgiriam. Bingo! Empresas capitalizadas, com caixa sobrando, foram às compras. O intenso movimento de fusões e aquisições foi um termômetro do que estou dizendo, sobretudo nos terceiro e quarto trimestres.
E preparem-se para assistir a novas jogadas em 2010. Os IPOs estarão de volta com toda força. Talvez só em 2011, mas muitas Empresas começam a se preparar nos bastidores para arrancadas. As contratações voltam a acontecer. Os “headhunters” afirmam que os sinais de aquecimento batem à porta, refletindo na busca por talentos. Alguns setores impulsionam a economia como o de construção civil, varejo, o automobilístico e o de tecnologia da informação.
Vários executivos de multinacionais instaladas no Brasil têm recebido de suas matrizes, neste final de ano, a missão explícita de expandirem o faturamento. Outros motores de aquecimento da economia têm o componente de governo, a exemplo da prorrogação dos incentivos fiscais para a indústria de informática, com isenção de PIS e COFINS, anunciada em dezembro pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também promete continuar favorecendo o varejo.
Do mesmo jeito que os novos benefícios concedidos por quatro meses aos setores moveleiro e da construção, ao lado da suplementação de 80 bilhões de reais para o BNDES financiar investimentos e o desenvolvimento produtivo em 2010 e 2011, sinalizam para um mercado interno cada vez mais robusto. Tanto que há previsões de crescimento do PIB para 2010 da ordem de 5%.
Ou seja, o crescimento será intenso, reflexo da demanda represada em 2009. No entanto, vejo uma grande transformação: as empresas se mexem de forma mais estruturada e a palavra de ordem continuará sendo cautela. Muito embora aposte minhas fichas num movimento que também antevi logo no início da crise: o apagão de talentos. Aquelas empresas que “trituraram” suas melhores cabeças no momento de turbulência,enfrentarão o reverso da medalha.
A guerra por talentos vai se acirrar e muito com a retomada das contratações no País. “Headhunters” sinalizaram que vão reforçar seus quadros de recrutadores em 2010, em pelo menos 50%, já como resultado desse reaquecimento na abertura de vagas. Voltaremos a ver em breve os talentos darem as cartas. Boa notícia? Nem tanto. Se você pensa em mudar de emprego, analise cuidadosamente as ofertas e assegure-se que tudo está em linha com o seu planejamento de carreira. O melhor vem depois. Para aqueles que planejam o sucesso. Feliz 2010!
Fonte: http://hsm.updateordie.com
Julio Sergio Cardozo é palestrante, autor e consultor em gestão corporativa e “coaching” para executivos. Foi Chairman e CEO da Ernst & Young South America até 2007.




















