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Por Marcelo de Souza Bastos

Esse final de semana, eu conversei com o Ricardo Cavallini sobre a carreira de gerente de projetos. Uma coisa que ficou clara nessa conversa é que essa é uma carreira que está em franco crescimento e sendo procurado para diversas áreas.

O PMI foi criado em 1969 por engenheiros e durante muito tempo seguiu o modelo mental dessa profissão. O crescimento de adesões ao PMI aconteceu de forma muito linear até meados dos anos 90, que é quando ocorre uma adesão muito forte de pessoas oriundas das áreas de tecnologia das empresas devido a forte dependência que os negócios de algumas empresas passou a ter da TI, notadamente os bancos. Hoje em dia, há uma forte tendência em aplicar a gestão de projetos a áreas outras como, por exemplo, publicidade, marketing e logistica.

Durante muito tempo, o foco do gerenciamento de projeto foi muito grande na parte técnica (Hard Skills), predominando as discussões sobre gestão de cronograma com o desenvolvimento de ferramentas como método de corrente crítica, gráfico de gantt, … Outro foco era na geração de documentação do projeto com suas declarações de escopo, WBS, plano de comunicação, …, ou seja, o foco era na disciplina de gestão de projetos como uma ciência e ao pensar e planejar desconectado da ação e da atenção aos detalhes.

Como ciência, a tentativa é sempre de tentar reduzir a complexidade do sistema, dividindo-o em vários pedaços, analisando cada pedaço de forma isolada de forma a torna-lo mais próximo de um padrão. Como disse meu grande amigo, Marcelo Cota, padrão é a tentativa de simplificar algo que é complexo.

Esse é o ponto que quero levar a reflexão dos leitores desse post, pois se tem uma coisa que todo mundo concorda nesses tempos de nova economia é que a complexidade e a quantidade de variáveis a serem geridas aumentou consideravelmente. Não vivemos mais em mundo em que os fatos acontecem de forma linear. Isso é coisa da velha economia. A gestão de projetos como ciência é como foi a administração científica de Taylor para a indústria, ou seja, desconsidera, principalmente, os aspectos humanos ligados ao trabalho e parte da premissa que podemos prever o curso do ambiente de negócios, controlá-lo e presumir que ele se manterá estável.

Diante dessa nova economia, a gestão de projetos deve diminuir o seu caráter científico e passar a desenvolver um lado mais artístico. Ele não deve mais se resumir somente a um plano que estabelece o cronograma e o sequenciamento de atividades. Afinal de contas, nenhum planejamento é perfeito. Ela precisa passar a ter uma postura de assumir maior risco procurando aumentar a chance de aproveitamento das oportunidades que surgem ao longo do projeto. O papel do gerente de projetos não se resumir somente ao pensar e planejar, mas também na geração de ação no projeto.

O foco deve ser, a partir de agora, no desenvolvimento de competências não técnicas, as chamadas soft skills, como liderança, negociação, comunicação e, principalmente, empreendedorismo, competências que são necessárias para gerenciar os diversos stakeholders presentes no projeto como a equipe do projeto, patrocinadores, clientes e outras instituições.

O gerente de projetos tem que passar a ver o projeto como a construção de uma obra, uma verdadeira arte, como se fosse um brinquedo de lego, em que você estabelece a visão e o resultado a ser alcançado, constroi vários pedaços em separado, sem ficar preso ao sequenciamento de atividades, e preocupa-se com a integração de todas as peças no final.

A melhor metáfora que posso fazer para ilustrar essa visão de gestão de projetos como arte é quando realizamos o download de arquivos pela Internet. Os pedaços do arquivo não chegam de forma sequencial, eles de chegam de forma não linear, ou seja, chegam pedaços do final do arquivo antes mesmos dos pedaços do começo do arquivo, mas no final tudo funciona de forma correta e integrada.

Da mesma forma que é necessário equilibrar a utilização dos dois lados do cérebro, o lógico e o emocional, a gestão de projetos precisará evoluir no sentido de conciliar ciência e arte, equilibrando pensar para agir com agir para pensar, para alcançar os objetivos cada vez mais complexos dos projetos na nova economia. Entendo até que é um erro tratar a gestão de projetos somente como uma ciência, pois, uma vez que um projeto sempre é a construção ou desenvolvimento de algo único e singular, ela está longe de ser algo que pode ter sua complexidade reduzida para estabelecer um padrão.

Um abraço.

Fonte: http://marcelao.wordpress.com

Marcelo de Souza Bastos é Formado em ciência da computação pelo Uniceub em Brasília e MBA em planejamento e gestão empresarial pela Universidade Católica de Brasília. Possui certificação PMP (Project Management Professional) pelo PMI (Project Management Institute) desde 2003.

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