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Leia a coluna escrita pelo Diretor Executivo da Trace Sistemas publicada nesta segunda 27 de julho.

DECIDIR

DecidirAs empresas convivem com o agravamento sistemático da carência de perfis com talento para ocupar posições de maior responsabilidade. Esta realidade não é coisa nova.

Aliás, posso dizer que é impressionante como a maioria dos profissionais, evita e rejeita a possibilidade de ter de decidir. E não é só isto – os profissionais que chegam nas empresas hoje, apresentam também baixo  envolvimento e comprometimento.

Tenho lido diferentes opiniões sobre isto. Uns falam de que este comportamento é um viés de nossa origem étnica, outros afirmam que é um mal do mundo digital, onde as relações são mornas, fruto da comunicação textual que remete a uma nova forma cultural onde se fica sem se comprometer.

Acho particularmente que esta situação é mais presente com o pessoal de tecnologia até por uma questão de perfil da atividade. Isto me faz lembrar que, certa vez, durante uma aula na UFRGS, um de meus professores, de cujo nome não me lembro, mas que particularmente sempre me cativou com suas aulas, estava a apresentar seus conteúdos, repletos de filosofias e de histórias do pensamento humano, quando repentinamente surpreendeu a toda a turma com uma pergunta: “O que vocês pensam que estão fazendo aqui?”.

Além do riso e da perplexidade imediatos, quase todos ensaiaram várias respostas, sendo que finalmente alguém disse, “aprendendo a aprender”, ao que ele concordou, complementando  “para poder enxergar e decidir”.  Durante muito tempo pensei nisso, pois a resposta não era bem o que pensava na época.

O assunto não teria me marcado, se na seqüência ele não tivesse completado, nos surpreendendo novamente, contando uma famosa crônica do Moacyr Scliar que ressalta de forma subrepticia, a inutilidade do pragmatismo educacional. 

Este exemplo rendeu muitas discussões acaloradas na família e com amigos e é o que até hoje utilizo para mostrar às pessoas quão importantes são as outras disciplinas da vida, na formação do bom profissional. Amigos, no mundo dos negócios a expectativa de ganho está vinculada ao risco, no meio profissional o seu valor estará vinculado ao nível de decisão de sua posição, ou seja, o nível de responsabilidade que você está assumindo.

Pois é, meus amigos – em nossas famílias, na escola e depois na faculdade, aprendemos as coisas mais simples, fundamentos da vida pessoal e conhecimentos que nos permitem “pensar – estudar – concluir”.  Nessa imensa jornada recebemos milhares de informações, somos treinados para buscar as nossas necessidades no mundo plano dos livros e textos. 

Porém, a verdade é que cada vez mais se exige que os profissionais no mundo dos negócios tomem suas decisões com base em conjuntos de informações. Isto é como estar sentado dentro de um holograma tridimensional, avaliando e ponderando os vários fatores que interferem diretamente na sua  decisão. Eis por que, quem assume, decide e se expõe – é tão procurado e valorizado.  Considerem estas questões e, tenho certeza, que quem resolver decidir, não se arrependerá.

Por Ricardo Garcia
Diretor Executivo da Trace Sistemas. Especialista em Engenharia de Software (UFRGS) e Sistemas de Informação e Telemática (UFRGS).

Link original: http://www.baguete.com.br/colunasDetalhes.php?id=3127

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