Pessoal,
segundo a wikipedia, dissonância cognitiva é um termo da psicologia. Descreve uma tensão inconfortável que pode ou não ser gerada por dois pensamentos conflitantes, ou comportar-se de forma conflitante com suas crenças. Basicamente se trata da percepção de incompatibilidade entre duas cognições, onde “cognição” é definido como qualquer elemento do conhecimento, incluindo atitude, emoção, crenças ou comportamento. A teoria da dissonância cognitiva prega que cognições contradizentes servem como estímulos para a mente obter ou inventar novos pensamentos ou crenças, ou modificar crenças pré-existentes, de forma a reduzir a quantidade de dissonância (conflito) entre as cognições.
A Teoria da Dissonância Cognitiva foi desenvolvida por Leon Festinger no meio do século XX. Ele define a Dissonância como uma tensão entre o que uma pessoa pensa ou acredita e aquilo que faz. Quando alguém faz uma ação que está em desacordo com aquilo que pensa, gera-se essa tensão e mecanismos psíquicos para repor a consonância são prontamente ativados. Das duas uma, ou aquilo que sabemos ou pensamos se adapta ao nosso comportamento, ou o comportamento adapta-se ao nosso conhecimento.
A melhor atitude que podemos adotar é que o nosso comportamento adapta-se ao nosso conhecimento, pois desta forma, estaremos sendo integros e alinhando a prática ao discurso. Quando ocorre o contrário, aquilo que cremos ou pensamos se adapta ao nosso comportamente, nós exigimos uma compensação e essa compensação pode ser alcançada de diversas formas, mas, geralmente ela se dá através de compensação financeira. No mundo corporativo, isso ocorre com muita frequência quando abrimos mão de nossos valores para que seja possível conseguir uma promoção, fato esse bastante incentivado devido ao ambiente de competição exacerbado dentro do ambiente corporativo.
Mas, como tudo na vida, há um preço muito alto a ser pago quando vivemos em dissonância cognitiva com nossos valores e crenças. O preço disso no ambiente de trabalho é que as pessoas estão cada vez mais doentes e insatisfeitas com sua própria vida. Essa epidemia de dissonância cognitiva é agravada ainda mais devido a outros fatores como você pode constatar no vídeo abaixo:
Essa epidemia de dissonância cognitiva teve início com a revolução industrial que foi quando o trabalho foi separado do prazer. Trabalhar deixou de ser uma arte e passou a ser, de certa forma, um castigo, pois o ser-humano deixou de ser a força-motriz da economia dando lugar as indústrias e suas máquinas em linha de produção. A metáfora do processo de linha de produção linear tornou-nos alienado do processo de trabalho, como previu Karl Max, desconectados da verdadeira realidade em que vivemos, fazendo com que busquemos cada vez mais a riqueza para consumirmos mais com o objetivo de aplacar nossa insatisfação pessoal. Essa é a herança do capitalismo selvagem que visa o lucro acima de tudo, o retorno ao acionista em primeiro lugar e a priorização de objetivos de curto prazo em detrimento de objetivos de longo prazo mais sustentáveis.
Todo esse ambiente incentiva a que nós deixemos de ser nós mesmos, a viver em dissonância cognitiva com nossos valores e crenças. Faz com que não discordemos de nosso chefe, pois isso pode significar a perda de apoio dele na busca por uma promoção. Existem até cursos para deixarmos de sermos nós mesmos como os cursos para se sair bem em entrevista de empregos, onde as pessoas são treinadas para aparentarem serem super-profissionais, de forma que compareçam a processos seletivos com respostas feitas e gestos pré-concebidos.
O mercado de trabalho está cada vez mais focado em resultados, metas e lucros no curto prazo, desprezando as questões humanas exigindo com que as pessoas estejam sempre superando seus limites, sempre fazendo mais e melhor, causando sofrimento, deixando as pessoas cada vez mais doentes e, com o tempo, fazendo com que a empresa também fique doente. Afinal de contas, como seres humanos, nós temos limites e não somos máquinas que trabalham 24 horas por dia e sete dias na semana.
Além desses fatores, o mundo corporativo está cheio de normas sociais e uma delas é o fato de gerenciarmos nossas vidas orientados pela expectativa de outras pessoas, pois ainda é muito valorizado o profissional que possui habilidades políticas, deixando de valorizar as competências técnicas e dando lugar a falsidadde. O preço disso é a perda da nossa identidade. Por medo de perder um emprego ou uma chance de promoção, e consequentemente ganhar mais para consumir mais, as pessoas sentem a necessidade de atender as expectativas e os desejos de outros e, se não fazem, são excluídas do grupo. A avaliação de desempenho, que deveria ser uma ferramento de crescimento pessoa, acaba por tornar-se um dos mecanismos que levam os profissionais a, conscientemente ou não, se esforçarem para atender a expectativa alheia, utilizada para manipular, tirar da frente quem incomoda e valorizar os que entram nas regras do jogo.
Para começarmos a curar essa doença e reverter esse quadro de epidemia, precisamos entender, como lideres, o que as pessoas são capazes de alcançar, em termos de qualidade do trabalho e autodesenvolvimento. Passa por reconhecer que a questão primordial é como organizar as instituições do trabalho para promover essas habilidades. É preciso criar um ambiente de trabalho em que as pessoas sigam a um propósito de vida, pois o desejo de agir com sentido e significado, de fazer a diferença, é uma parte tão importante de nossas estruturas quanto nosso apetitite por dinheiro ou status, afinal de contas significado, sentido e propósito são a parte principal da força que nos permitem viver. O trabalho é nosso principal construtor de identidade nos dias atuais. Se ele não tem propósito, nossa vida não terá um propósito.
Tudo isso, passa pela conscientização dos líderes nas empresas e pela necessidade de se tornarem mais integros, fazendo com que a prática passe a funcionar conforme discurso, deixando de punir as pessoas que apresentem idéias divergentes do discurso predominante, a valorizar os pontos fortes ao invés de ficar procurando os pontos fracos dos funcionários, afinal de contas, cada um tem suas competências, vocações e interesses. Respeitar essa verdade e alinhar os interesses de cada funcionário aos interesses da empresa é o caminho para dar a sentido e propósito ao trabalho e a vencer essa epidemia e a esse mal que atinge a maioria das pessoas.
Um abraço.
“Keep the Faith”
Fonte: http://hsm.updateordie.com
Marcelo de Souza Bastos é Formado em ciência da computação pelo Uniceub em Brasília e MBA em planejamento e gestão empresarial pela Universidade Católica de Brasília. Possui certificação PMP (Project Management Professional) pelo PMI (Project Management Institute) desde 2003.




















