Por Marcelo de Souza Bastos
Pessoal,
estava assistindo ao jogo do Flamengo contra o Avaí há algumas semanas quando ocorreu um lance em que um jogador do Flamengo errou um passe de meio metro, o narrador comentou : “Quando fase é ruim, nada dá certo”. Feito esse comentário, o comentarista do jogo corrigiu : “Não é uma questão relacionada a fase, mas sim quando os resultados não aparecem, a confiança diminuiu e o jogador passa a arriscar menos, pois se arriscar muito e errar, a torcida, que já não anda satisfeita, passa a perseguir o jogador”.
Fiz essa introdução utilizando o futebol para mostrar a importância que a confiança tem para a inovação. Se estamos confiantes, passamos a arriscar mais e, dessa forma, fazemos coisas que, em situações normais, seriam consideradas impossíveis. Eu, por exemplo, jogo como goleiro no futebol e o goleiro precisa fundamentalmente de confiança. Sempre digo que a defesa mais importante sempre é a primeira, porque é ela que vai me dar confiança para o resto da partida. É impressionante a importância da confiança nesse caso. Já tive vários jogos que eu comecei muito bem as partidas e dizia para mim mesmo “Hoje não vou tomar gol” e não tomava mesmo. Você chega quase que a antever o que o jogador vai fazer antes de bater na bola. Mesmo quando havia um penalti nesses dias, eu mentalizava que nem penalti ia passar e, na maioria das vezes, não passava mesmo.O mais interessante disso é quanto mais eu fechava o gol, mais eu recebia elogios de meus colegas de time e mais confiante eu ficava.
Mudando um pouco de esporte, analisem o tênis por exemplo. Tênis é basicamente confiança. Pode ser o Roger Federer que se ele tiver uma pequena dúvida do seu potencial, ele perde o jogo. Aliás, a final do US Open americano desse ano foi um exemplo disso. O argentino Juan Martin Del Potro acreditou em si muito mais que outros, foi para cima do Federer e venceu seu primeiro Grand Slam. Vale lembrar que nos anos de 2004 a 2007, Roger Federer passou a dominar o tênis mundial quando venceu seu primeiro Grand Slam em Winbledon(2003). Foi nesse título que ele percebeu que ele não era mais uma promessa e sim uma realidade. Durante esse período (2004-2007), muitos adversários entravam em quadra para enfrentar o Feder respeitando-o demais, diminuindo sua confiança e perdiam por essa razão.
O futebol e o tênis são alguns dos exemplo onde a confiança é muito importante para realizar o que muitos consideram impossível, mas, em qualquer esporte ou situação da vida, se você tem confiança, você arrisca mais e faz coisas consideradas impossíveis por muitos. Quando você não tem confiança, você procura aumentar sua margem de segurança, não vai para as linhas como se diz no tênis e erra passes de meio metro no futebol, e aí você torna-se uma presa fácil para o seu adversário. Se o Petkovic não tivesse uma confiança muito grande em si mesmo, ele não teria dado aquele passe para o Zé Roberto fazer o gol da vitória do Flamengo em cima do São Paulo no último sábado (10/10).
Agora vamos transportar essa realidade para o nosso ambiente empresarial. Quantas vezes diminuimos a confiança de nossos funcionários quando coibimos o erro ou tentativa de fazer algo novo? Quantas inovações deixam de surgir porque não damos atenção as ideías das pessoas? Qual a contribuição que nós gestores oferecemos para criar um clima onde as pessoas tenham confiança para arriscar mais em busca de novas idéias?
A inovação tem profunda e forte ligação com arriscar mais. Ocorre que para arriscar mais, as pessoas precisam ter mais confiança em si. Confiança essa que só é possível se tivermos um clima de colaboração e respeito as idéias, independente de sua origem.
Um abraço.
“Keep the faith”
Fonte: http://hsm.updateordie.com
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