Passe a bola para onde o receptor estará…

Por Adriana Salles Gomes

Passe a bola…e não para onde ele estava. Esse é um ditado que vem do beisebol americano, e nega outra sabedoria popular célebre no Brasil: “não se mexe em time que está ganhando”.

Eu já identifiquei os problemas malditos da minha empresa? (”wicked problems” em inglês, que são os problemas persistentes, de amplo alcance ou difíceis de delimitar, que parecem não ter solução)

Essa é a pergunta de um milhão de dólares que todo executivo deve tentar responder assim que acabar de ler este post.

Entrevistei Marty Neumeier, renomado consultor de design e inovação dos Estados Unidos, autor de “A Empresa Orientada para o Design”, que dirigia a Neutron e agora está no comando da Liquid Agency, para o dossiê sobre pensamento de design que publicamos na edição março-abril de HSM Management. E ele foi para o ataque. Disse que “o predomínio do pensamento centrado no 6-Sigma é o culpado pelo fato de as empresas terem se ocupado da melhoria contínua de um modelo de gestão que é cada vez pior e que isso gerou a maioria dos problemas malditos corporativos. Também disse que apenas o design pode resolvê-los. Isso porque, enquanto uma empresa está ocupada capitalizando sua última inovação, outra tenta derrotá-la na próxima inovação. O mercado está sempre se movendo mais rápido do que qualquer companhia. A única maneira de permanecer nesse novo jogo é inovar continuamente. Ele advoga em causa própria? Talvez, mas o fato é que há lógica em seu raciocínio. Acompanhem estes highlights:

Quando o sr. descobriu que os conceitos de design poderiam ser aplicados ao mundo empresarial com sucesso?

Sou consultor em design e marketing desde 1970, mas foi em 1984 que comecei a ver a conexão entre essas duas áreas. Foi esse o ano em que a Apple lançou o Macintosh e desafiou a liderança da IBM no reino da computação. A Apple usou o pensamento de design para desenvolver toda uma nova maneira de construir uma organização. Eles não apenas aplicaram o design às áreas esperadas de produtos e comunicação, mas também para a empresa em si, efetivamente redesenhando o território de concorrência. O resto do mundo está apenas começando a compreender o que a Apple tem feito. Ela não se enquadra no modelo de gerir empresas no século 20, então é difícil entendê-la –a menos que você seja um designer.

O design é normalmente considerado uma maneira de tornar as coisas mais simples e mais acessíveis. Isso significa que o mundo empresarial anda complicado demais?

O design pode ser usado para muitos propósitos: aclarar uma informação, criar um laço emocional com os consumidores, construir uma barreira à concorrência, aperfeiçoar a experiência do consumidor e assim por diante. Mas também pode ser usado para diminuir custos, tornar processos mais eficientes e simplificar modelos de negócio. O design pode ser parcialmente definido pela subtração. Ele diz “não” à complexidade que pode minar a força de uma empresa e desacelerar seu progresso.

O sr. poderia nos dar exemplos de empresas que se orientaram pelo design, mesmo antes de seus livros existirem?

A HP passou de uma empresa lenta e burocrática a mais ágil e empreendedora. Nela, o design e o pensamento de design são agora difundidos. Essa é uma evolução formidável para uma companhia tão grande e continuamente bem-sucedida. Outras empresas voltadas para o design, das quais me recordo, são Google (buscas online), Netflix (aluguel de DVDs pelo correio), MiniCooper (pequeno carro esportivo), JetBlue (companhia aérea exclusiva de classe executiva, a preços mais acessíveis) e Virgin Mobile (telefones celulares sem planos anuais). Usei esses exemplos em meus livros, porque os pensadores de gestão mais tradicionais têm dificuldade em aceitar novos conceitos de imediato. Eles, com frequência, precisam de exemplos e estudos de caso que os convençam.

Vejam, após o jump, os dez principais problemas malditos que afligem as empresas, segundo uma pesquisa. Uma pesquisa com altos executivos, realizada pela firma de consultoria Neutron, dirigida por Marty Neumeier (que se fundiu com a Liquid Agency recentemente), e pela Stanford University, trouxe como resultado a lista de problemas malditos corporativos que se encontra abaixo. Vocês os reconhecem?

  1. Equilibrar objetivos de longo prazo com as demandas de curto prazo;
  2. Prever o retorno de conceitos inovadores;
  3. Inovar na velocidade crescente das mudanças;
  4. Ganhar a guerra pelos talentos de classe mundial;
  5. Combinar rentabilidade com responsabilidade social;
  6. Proteger as margens de lucro em um setor que tende à indiferenciação;
  7. Multiplicar o sucesso mediante a colaboração que transcenda os feudos;
  8. Encontrar um espaço no mercado que ainda não esteja sendo disputado, mas que seja rentável;
  9. Abordar o desafio da ecossustentabilidade;
  10. Alinhar a estratégia à experiência do cliente.

Fonte: http://hsm.updateordie.com

Adriana Salles Gomes é editora executiva da Revista HSM Management

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