Por Julio Sergio
Quando a jornalista Letícia Bragaglia, ao me entrevistar para a TV Estadão, perguntou sobre o que ganhei com a aposentadoria, não tive dúvidas: “Aprender o valor da palavra NÃO”. Costumo dizer que o pós-carreira me deu total liberdade, total domínio do que vou fazer. Hoje só faço aquilo que quero fazer. Tranquilamente digo NÃO sem me preocupar com as consequências, porque sou dono da minha vida.
Muita gente tem dificuldade em dizer NÃO, parece um martírio. Reconheço que na vida corporativa é necessário transigir para sobreviver na carreira, conseguir espaço no mercado, fazer a empresa em que trabalha crescer e ser mais bem-sucedida. Sem esquecer os sapos que engolimos o tempo inteiro e o medo de perder o emprego se contestarmos alguma decisão.
Um alto executivo que conheço evita, por exemplo, dar qualquer tipo de opinião contrária. Raramente se posiciona ou quando é preciso, reluta até o último instante. Mesmo que isso custe noites sem dormir por causa de dores no estômago ocasionadas pelo estresse. Prefere uma postura “em cima do muro” a se indispor com alguém.
Assim como ele, muitas pessoas preferem o caminho da omissão. Agora, será mesmo o melhor caminho? Quem sempre diz “Amém” também corre risco. A omissão gera inúmeras implicações. Ninguém garante que baixar a cabeça e só falar SIM vai perpetuar sua sobrevivência anos após anos na mesma organização.
As pessoas costumam achar que aceitar as coisas não lhes tirará da zona de conforto. Muito pelo contrário. A empresa quando achar que você já deu o que tinha que dar vai te dizer NÃO. Simples assim. Além disso, muitas vezes seu chefe espera que você saiba dizer o NÃO que mudará os rumos da companhia.
Se você engrossa a fila daqueles que relutam a dizer NÃO, aí vai uma dica, comece dando os primeiros passos em sua vida pessoal. Procure falar aquilo que te desagrada e daí por diante. Essa é uma forma de começar a identificar seus interesses e o que você consegue abrir mão. O conhecido autor William Ury, em seu livro O Poder do Não Positivo (Editora Campus), defende a teoria de que cada pessoa precisa se perguntar sempre por quê.
“O que espero criar ao dizer NÃO?” “Que interesse meu correrá risco se eu disser NÃO ou disser SIM e continuar aceitando o comportamento do outro?”. Desvendar suas necessidades é mega importante. O que é o NÃO? É aquilo que você NÃO quer fazer, é aquilo que NÃO vai te dá prazer. Então você NÃO deve fazer.
Imagine que seu chefe pediu para que você trabalhasse nesse fim de semana, o quarto consecutivo. Na hora lhe veio à cabeça dizer: “NÃO dá, porque planejei com minha esposa uma viagem curta que há tempos planejamos”. Mas você acaba dizendo SIM, depois de avaliar que seu emprego pode estar em risco se você não “obedecer”.
Será mesmo que você fez certo? Assim como seu emprego, seu casamento também é importante. Já imaginou se sua mulher ficará feliz em novamente ser preterida? Como afirma Ury, por trás do interesse em realizar seus planos reside a necessidade básica de autonomia e controle sobre seu destino. Você sabe que não deixará de cumprir suas obrigações e pensa: “vale mesmo a pena sempre sucumbir?”.
Dizer NÃO é uma importante arma para impor limites, marcar território, defender posições. Por isso, avalie bem o momento de ceder e de NÃO ceder. Fazer o jogo também implica em dizer NÃO. O segredo é descobrir quando abrir mão de algo ou NÃO. A escolha é sua.
Fonte: http://hsm.updateordie.com
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